12.8.18

Caravanserai

O filho mais velho, ainda que novo, cabelo esvoaçante de fios de ouro, arrasta pela areia um carro de quatro rodas, desdobrável, carregado com o que a família achou por bem trazer para a praia, entre cadeiras, espreguiçadeiras, toalhões, geleira, chapéu de sol, quiçá mesa, que já cá vi também. Tarefa ingrata, porque as rodas finas afundam a cada passo, com aquele peso. À frente dele, a mãe avança abraçada a um jacaré insuflável, verde, de tamanho real. O pai abana as mãos livres, libérrimo. O filho mais novo, não mais de dois anos, o mais louro dos quatro, à frente, em passo que o irmão não consegue acompanhar, comanda a caravana em direção ao oásis que vê ao fundo, ou seja, ao mar imenso e impávido aos passantes, como um caravanserai.