13.8.18

Como na Agatha Christie

No livro anterior, só morre uma personagem, num homicídio involuntário, uma cena de violência breve, e é já a meio, depois de lidas umas cento e cinquenta páginas. Neste, ao final de um capítulo, morreram já centenas de milhar, em circunstâncias apocalípticas, que fazem tremer as palavras que as descrevem. Vou deixá-lo assim, trocar por um policial, onde, quando muito, morrerá apenas uma personagem, daquelas antipáticas, como na Agatha Christie. Com sorte, pode até nem haver homicídio, ser só sobre um assalto, um rapto, uma fraude, uma chantagem, algo assim, tranquilo. Lemos ficção porque dela podemos acordar, por decisão consciente, como num sonho mau. A História, como o presente, é demasiado inquietante, assombra o sono, sem remissão. A História não é recomendável para tempo de férias. Nem sequer o presente.