4.8.18

O acordeonista entrou

Quando o acordeonista entrou na carruagem, ela começou a acompanhar o ritmo da música com um brinquedo, uma pequena mão mecânica azul, que abria e fechava os dedos ao toque num botão. Depois, começou o fazê-lo no braço dele, subindo devagar para a axila, em jeito de cócegas. De boné virado para trás, barba afegã, brincos com dragão em espiral preta, como as tatuagens que lhe cobriam toda a superfície visível da pele, ele riu como um petiz mimado, assim desvendando o «piercing» que rebrilhava, implantado bem no centro da língua.