11.8.18

Um par de horas

Para beber, o habitual? pergunta ela, no idioma cá deles, ainda antes de me entregar a carta. Confirmo, em tom interrogativo. É a segunda vez que cá venho, em dias diferentes, não contíguos e nem eu o que bebi no primeiro dia recordo, até ela mo trazer de novo, naquele jeito que tem de se eclipsar silenciosamente e materializar do nada, como se viajasse no tempo, ao contrário da minha memória. Eis um homem de hábitos, deve pensar, por detrás do sorriso ubíquo e impenetrável. Nem sabe quanto. Todos os infortúnios do homem provêm de não saber estar quieto num lugar, disse Pascal. Na mesa habitual pela segunda vez, com a bebida habitual, idém, os ditos infortúnios terão mais dificuldade em encontrar-me, pelo menos por um par de horas.