3.8.18

Velho Continente

A americana com os cabelos pretos, curtos, a t-shirt branca com um logo de jogador de pólo, os calções caqui e os sapatos brancos, que usaria igualmente em Boston, Massachussets, de onde vem, fala com uma desenvoltura sobre o quadro que eu mal consigo acompanhar. O pintor é europeu, o quadro, pintado cá, e ela, nascida lá e que atravessou o Atlântico para cá chegar, dá-me uma lição, a mim, nativo comprovado da Europa. Resisto, mas por pouco tempo. Vencido, quedo-me quieto e atento a aprender, com o orgulho mesclado de pedantismo de originário do Velho Continente devidamente metido no saco, acomodado como uma viola num concerto para violino.