13.9.18

Lavas vivas

Uma noite fiquei preso no glaciar de Pico de Orizaba e gastei os últimos fósforos a fazer uma fogueira ridícula como a minha inconsciência. Só de manhã passou uma mulher Nahua, que me ofereceu café em pó. Sem os fósforos nem isqueiro, não tinha forma de fazer café quente. Atirei uma mão cheia de café para a boca e mastiguei com gelo. Ainda recordo o vulcão na boca, mais feroz do que terá sido o de Orizaba, nos seus tempos exuberantes de lavas vivas.

[Dos «Diários» de Victor de Vere.]