21.3.18

Guardador de tempos

Todos os dias vou colhendo tempo,
como se apanhasse laranjas frescas
do desvendar do sol
ao ocaso da lua.
É para ti que o guardo, a todo este tempo,
tanto tempo, embalado em véus tecidos
com fios de luz, para que se conserve
na eternidade. Um dia,
espero, encontrarás este tesouro,
porque ele é teu.
Ele,
e eu.

[Dos fragmentos das cartas de Orfeu a Eurídice.]