Após a morte do pai de Bertrande, a mãe desta casou com o tio de Martin. Foram disputas sobre terras que levaram o casal a convencer Bertrande a denunciar Arnaud como impostor, contra vontade desta. Durante o
julgamento, trinta a quarenta pessoas afirmaram que o réu era seguramente Martin Guerre; haviam-no conhecido desde o berço. Entre os que não tinham dúvidas que Arnaud era Martin encontravam-se as quatro irmãs deste, os dois cunhados e uma certa Catherine Boeri de uma das mais respeitadas famílias na localidade. Faltava, assim, uma prova definitiva. Nunca se saberá como, nem porquê, mas o verdadeiro Martin, certamente informado pelas redes da época, resolveu aparecer, ao fim de tantos anos, precisamente na altura do julgamento. A partir daí, Arnaud du Tilh não tinha como negar o embuste. Arnaud deixaria todas as suas terras, em testamento, à filha com Bertrande. O cadafalso foi erguido em frente à casa onde com esta viveu três anos felizes e prósperos para ambos.
Recuperado o vigor, após os anos a monte, Martin viria a ter mais filhos com Bertrande e, posteriormente, com outra mulher.
Em Artigat, nada acontece. Mas os habitantes ainda dizem: «Quer lá saber o que aconteceu aqui há muitos, muitos séculos?»