Caravaggio, Alaudista, 1596
No céu vive um coração de que as fibras são as cordas de um alaúde
como a alma de uma labareda, no céu mais alto.
Não há tão selvagem canto no fundo do absoluto como
o canto deste alaúde em voragem
angélica, que é a corda vibrante do coração do Anjo
Israfel. E cada pulsação deste
obscuro oráculo
é um Sinal, onde o infindo amor pôs a mão em chamas, na orla do Paraíso.
E diz a lenda que os astros bêbados emudecem,
e assistem atónitos
à inaudita ascensão daquela música
inaudita,
que o mágico Bardo do alto soletra enquanto soletra a sua vida,
cantando.
J. S. Bach, Prelúdio, BWV 1006, Hopkinson Smith
