1.11.19

Caravaggio

Deixo-me prender na voz da americana que vai lendo o catálogo para a companheira e até atraso o passo para a ouvir. A companheira fica estática, enlevada na leitura e julgo que semicerra os olhos, em transe hipnótico. Lento é o avanço, como secagem de tinta na tela. Caravaggio é, creio, apenas um pretexto para ela mergulhar na música das palavras da leitora. Acho o modelo, Mario Minniti, parecido com esta. Talvez Mario lesse para Caravaggio assim, talvez este fechasse os olhos para o ouvir. Nunca saberei. Com as unhas cheias de terra fresca, Mario parece troçar das minhas fantasias.