13.2.20
Quadrante da inexistência
«E quando for assim, pergunte: que é feito daquela senhora de óculos», aconselha-me Dona Sandra, que me serve o melhor gin do mundo ao fim da tarde, no bar, quando lhe disse que senti falta dela nas últimas semanas, que até tive cuidados, por onde andaria? E, de facto, não perguntei a outros, só a ela, e foi agora. (Brilharam-me os olhos de lhe brilharem os olhos, quando lho disse.) Hoje senti falta, mais ainda do que ontem, ou de anteontem, também de Dona Vera, que me ajudava a manter o barco no rumo calculado com sextante e que foi, há umas semanas, como agora se anuncia nos pregões modernos, «abraçar um novo desafio.» Bem lhe mando cumprimentos pelo marido, mas por recato, ou pudor, nunca lhe disse para lhe levar novas da falta que cá faz. Protelo o inevitável. Pois quanto à leitora, decidi não protelar as palavras, que não podem ficar tolhidas, que exigem ser livres como gaivotas: faz cá falta a leitora, e não pouca, pois que é para ela que estas frases são aqui alinhadas. Não fora a leitora, que seria destas congeminações, e daquele que as comete amiúde? Em que quadrante da inexistência perdurariam?