Pode a leitora ir a Uppsala, que fica ali pertinho de Estocolmo, em busca do rasto de Lineu no seu jardim botânico, ou pode este que lhe escreve atravessar a capital de lés a lés, em busca de um iogurte natural, vulgar de Lineu. Dito iogurte é feito na Áustria, que não consta que tenha sido visitada pelo naturalista: sendo contemporâneo de Mozart, bem lhe podia ter ido fazer uma visita. Mas não. Não consta também que Lineu tenha provado os iogurtes austríacos -- embora esteja documentado que degustou tätmjölk, uma variante sueca de leite fermentado. Terá Lineu corrido Uppsala em busca do tätmjölk como eu Lisboa, em busca de um iogurte natural, mas -- e lá está, Lineu sabia -- vulgar não é sinónimo de indistinto? Confesso -- a leitora concordará, decerto -- que a busca é, amiúde, mais gratificante que o encontro. O encontro comporta sempre o breve desencanto do término. Já a busca, se não for bem sucedida, não leva a desencanto. Ando eu nisto -- buscando o iogurte, e ele ausente. Lineu criou toda uma ciência com a sua demanda. Eu, nem encher o frigorífico de iogurtes naturais consigo. Fica apenas esta minudência inconsequente como testemunho, precisamente, de tal desatino.
Não há iogurtes naturais em Lisboa, ou noutra parte do país?! Ora esta. Não tinha dado por tal uma vez ser alimento que me está vedado. Pois muito me conta. Mas a esta hora é provável que já tenha encontrado o que tanto busca.
ResponderEliminarNão me parece que encontrar provoque desencanto. E muito menos se o procurado é um iogurte.
Bom domingo, Xilre (sabe-se lá quando voltarei a deixar idênticos votos)
Que os há, há. Mas aqueles, os austíacos, têm -- dentro do vulgar de Lineu -- algo que os torna invulgares...
EliminarBom final de semana, bea (ora, o espaço está sempre com porta aberta)