29.5.17

criadores de mundos

ela cedeu os oceanos
e ele deu-se as terras

entre os dois criaram ilhas
depois arquipélagos
que enlaçaram em continentes

assim moldaram mundos
e descobriram maravilhados
todo um universo por preeencher


Uma situação a rever

Não me diga que sou outra vez o primeiro cliente, pergunto eu, respondendo à afirmação de Dona Aureliana, É o seu café doutor. A Dona faz fumegar a máquina, como uma locomotiva que me puxará deste sono vidrado matinal. É o primeiro cliente outra vez, diz a Dona naquela fala lá dela que atravessou o equador. Anda a levantar-se muito cedo. Tem que rever essa situação. E eu concordo veementemente. Prometo que vou rever. Vou colocar na minha lista de coisas para fazer. Ou na outra, ainda maior, de coisas para não fazer. Onde já está a intenção de não tomar café frio por ficar por aqui a escrever minudências inconsequentes à leitora, a esta hora em que o ar ainda cheira a acabado de lavar. De situações a rever estão as listas cheias, lá diz o ditado. O Diabo está é naquelas caixinhas onde se faz o «check», leitora.

28.5.17

sede de areia

as palavras que nos acariciam
são areia no vento

areia que vai
areia que vem

e nós

somos dunas afinal
sempre sedentos de areia



Animal escamudo

A tatuagem que a t-shirt preta deixava ver no biceps era de um dragão ou de uma serpente, um bicho longilíneo de corpo coberto de escamas. O cabelo cortado a pente três tinha mais um milímetro do que a barba dominical. A voz soava rápida e ríspida enquanto demonstrava à mulher ao seu lado no balcão do café o despeito exaustivo por cada uma das sugestões dela para o brunch. À mulher e a todos os discretos presentes. Quando saí, mais tarde, estavam a almoçar o consenso final, num canto que faz um ângulo reto entre a parede e um pilar. Ela, de costas para o pilar. Tão silenciosos ambos como o animal escamudo da tatuagem.

Um sábio

Parafraseando Afonso, estivesse eu presente na dia da criação e poderia ter dado duas ou três sugestões úteis.

27.5.17

em resumo

o sol não brilhou
o rio não azulou
o pássaro não cantou

mas só faltaste tu

Hipnotizador invisível

Falava sozinho. O homem da camisa às riscas largas, azuis, brancas e rosa, na mesa ao lado da minha no café, aquele que tinha o cabelo puxado para trás como um ator de cinema dos anos cinquenta, mexia os lábios ao mesmo ritmo que abanava a perna cruzada calçada com sapato cor de mel. Na face, apenas os lábios se moviam. Os olhos estavam fixos como se tivesse em frente um hipnotizador invisível. Nada o distraía da história que ia contando a si próprio. Nada era, na verdade, mais importante do que aquela voz interior exteriorizada, involuntariamente creio, pelas palavras mudas que articulava sem parar.

Da inconsistência dos materiais

O coração parecia feito de asfalto, mas exposto aos raios da emoção incidentes na perpendicular, derretia.

O que procuramos na livraria

Chama-se Kalathos e é uma livraria em Caracas, onde nunca estive. Todos os dias dá a conhecer ao mundo o que se passa no seu espaço, e se é muito o que lá acontece. As leituras de poesia sucedem-se, como os lançamentos de livros, uma vez que também é editora, uma pequena editora. Vejo as capas: não são, não podem ser, ilustradas, coloridas como as dos nossos livros. São discretas, de elaboração económica, simplificadas. Mas o conteúdo dos livros dos escritores venezuelanos é vivo, intenso, urgente. Hoje a Kalathos anuncia um ciclo de sessões de meditação. No primeiro dia: meditação para perdoar. Nos seguintes: para curar, contra a dor, contra a angústia. Não está fechada sobre si, portanto. Mas nunca vi uma referência às dificuldades que decerto enfrenta. Nem um lamento. Num país onde tudo falta, um grupo de gente que gosta de livros, decerto, percebeu que as livrarias não vendem histórias ou poemas impressos em papel. Não. As pessoas vão à livraria à procura de esperança. E isso, aquela tem para dar e vender.

o paradoxo dos dias

os dias contam
quando o tempo
não conta

26.5.17

de asas bem abertas

deu-lhe a mão
e assim voaram juntos

Olhar clínico

Chego tão cedo ao café que Dona Aureliana ainda está a tomar o pequeno-almoço. É o seu café doutor, pergunta ela afirmando, com aquela fala lá dela que atravessou o equador, enquanto se dirige para a máquina adormecida como o dia, ainda. Sai o café e a Dona de pronto o rejeita. Sai o segundo e a Dona aplica o seu mais clínico olhar para dentro da chávena, analisando em pormenor a tonalidade e espessura do creme cor de creme. Espero que este esteja bom, doutor, diz a Dona, é o primeiro do dia. Ora essa, pois há-de estar, nunca aqui um café saiu mal. E é verdade leitora, o café cuja última gota arrefece aqui ao lado enquanto escrevo esta minudência inconsequente, estava excelente. Como a manhã, aliás. Ou a disposição da leitora, espero.

24.5.17

o princípio foi assim

ela encontrou-o à beira de se afogar
e ensinou-o a respirar debaixo de água

O mundo a avançar assim

Para ouvir falar de como o mundo está a mudar, o Senhor Jaime vestiu o fato cinzento escuro que mandou fazer por medida naquele alfaiate que até lhe arranja uns preços em conta, colocou a gravata de seda azul como a do presidente, os botões de punho com aplicações de laca preta, oferta de Natal de há dois anos, enfrentou duzentos metros de trinta e cinco graus de temperatura de um verão impaciente, porque já não havia lugar ali no parque junto à porta grande, abriu um sorriso rasgado e encolheu a barriga quando a gerente que o convidou para o evento o encontrou finalmente, Que bom ter podido vir, Senhor Jaime, aproveitou e comeu dois folhados de salsicha, um pastel de nata e um croissant misto, bebeu três copos de sumo de laranja para hidratar, porque quem vai ao mar avia-se em terra, arranjou um lugar bem no centro e enquanto o mundo mudava lá no palco em baixo, o Senhor Jaime dormiu um sono justo, que isto ao fim da tarde bate o cansaço e já se sabe. Lá diz o poeta, quando um homem sonha o mundo pula a avança. E tão bem que o Senhor Jaime sonhou naquelas três horinhas. Que regalo, o mundo a avançar assim.

A poesia segundo os prosadores

Ao ouvir há pouco o início de Cem anos de solidão lido por Gabriel Garcia Marquez compreendi, talvez de forma mais límpida que nunca, que a distinção entre prosa e poesia é tanto fruto de convenção como as linhas de fronteira. Ao passar entre Portugal e Espanha, o que é que difere no solo dos dois países? Em que é que aquele início (ou meio, ou fim) da obra de Marquez se distingue dos escritos de Paz ou de Neruda, se lidos pelas respetivas vozes, as que conhecem a pauta original do texto? Serei duro de ouvido, talvez, mas não encontro maior musicalidade em Canto Geral do que em Cem anos de solidão. Todas as restantes circunstâncias permanecendo iguais, a minha bitola de aferição é o texto dito. E este é musical ou estridente. Os guardas fronteiriços só existem para assegurar que o que é artificial é tomado como natural. Se for estridente, nunca será poesia, por mais balas que os carabineiros gastem a defender o indefensável.

23.5.17

Como um samurai com um sabre tão afiado

Talvez ela suspeitasse, mas julgo que nunca acreditou verdadeiramente no poder que a inteligência dela exercia sobre ele. A mente dela era como um sabre tão afiado que cortaria num golpe uma folha a pairar. Ele imaginava o movimento e o golpe e a cisão da folha e sobrevinha-lhe o enlevo. Quem maneja o sabre, pensou, não lhe consegue ver o brilho do fio como quem o observa. Esse brilho, replenava-lhe os olhos. Era o seu prazer secreto: pois como descrever a luz a quem a emite?

fascinação

é ver o mundo visto
pelos teus olhos

O prestidigitador

Não vi como o fez, mas o Senhor Variações entregou-me o café e o troco de uma só vez, como se trouxesse a moeda na mão já antes de eu retirar as minhas da carteira. Ou eu sou previsível, ou ele é prestidigitador. Ou então existem mesmo mágicos no mundo, escondem normalmente bem o dom mas, de vez em quando, deixam escapar inadvertidamente um bocadinho de magia. Afinal, até os mágicos são humanos.

Definição pela repetição

Há quem repita toda a vida as mesmas poucas frases. Até que estas almejem definir toda a sua existência.

[A partir de Chantal Maillard.]

22.5.17

Como um garoto

O pacote de livros chegou três dias antes do previsto. Tão habituado a comprá-los na livraria ou em versão em que leio de imediato no ecrã, com este adiantamento pareceu-me que vinte e cinco de dezembro este ano calhou a vinte e dois de maio. Destrocei a embalagem, rasguei as proteções plásticas que envolviam os livros, devorei as primeiras páginas. Creio ter dito um yes (acrescente-se ponto de exclamação). O garoto que mora cá dentro não deixaria passar tal oportunidade. E não deixou.

20.5.17

dilema de um colecionador de luz

se vires o mundo pelo meus olhos, verás o que os meus olhos vêem?

ver-me-ás?

White

xilre, white, 2017

19.5.17

Fleur

xilre, fleur, 2017

18.5.17

uma propriedade inexplicável





há palavras que adquirem o perfume de quem as usa




O tempo passa a correr

Tanta coisa boa que fez hoje, digo eu a Dona Aureliana, com o radar olfativo em estado de êxtase. Que bem cheira aqui no café. É Dona Aureliana que faz tudo. Fui eu que fiz tudo, diz a Dona com aquela fala lá dela que atravessou o equador. Se bem cheira, melhor há-de saber, digo eu, recordando um ditado que não atravessou de certeza o equador. O tempo assim passa mais depressa, filosofa Aureliana, Dona da sabedoria. Eu atravesso a porta para a esplanada, chávena na mão e escrevo esta minudência inconsequente à leitora enquanto o café aguarda aqui ao lado. Acabo de escrever [estou quase] e o café está frio. O tempo passa a correr. Razão tem a Dona, aquela sábia omnisciente, já para não dizer omnipotente [só no espaço do café, leitora, pois onde mais?]

17.5.17

Um leitor quando escreve

Não tenho grande medo de errar ao afirmar que escrever nos altera a forma de ler. Quem escreve lê menos por fruição do que para explorar o que gostaria de escrever.  Quando diz: Este autor ou este livro pouco ou nada me interessam, é porque não almeja escrever aquilo, ou escrever assim. O que é entendido como distanciamento é na verdade pragmatismo. Frequentemente é, até, uma forma de manter o equilíbrio, neste funambulismo chamado escrita.

[Coda: Se gosta de ler, não procure conselhos sobre livros num blogger ou num escritor. De ninguém que escreva regularmente, portanto. Raramente, se é que alguma vez, encontrará motivo de satisfação no que lhe for aconselhado.]

O amador e a cousa amada

Diz Camões: «Transforma-se o amador na cousa amada» e reforça Lorenzo De' Medici: «Amore non è altro che una transformazione dello amante nella cosa amata». Foram contemporâneos, não é fácil perceber se chegaram independentemente a tal conclusão, ou se um leu o outro. Mas Lorenzo é mais estrito, exclui as formas de amor que não são transformativas. Eu leio em Lorenzo um teste, um limiar: se não transforma, não é amor. Por outro lado, se transforma, não vale a pena voltear, fingir, fugir. Não é outra coisa. Não é senão amor.

16.5.17

Eu gosto de ler gostando

Eu gosto de ler gostando,
gozando a poesia,
como se ela fosse
uma boa camarada,
dessas que beijam a gente
gostando de ser beijada.

Eu gosto de ler gostando
gozando assim o poema,
como se ele fosse
boca de mulher pura
simples boa libertada
boca de mulher que pensa...
dessas que a gente gosta
gostando de ser gostada.

[Solano Trindade]

Música de outro Mundo para outro Mundo

Excelentemente partilhados, a música e o projeto, pelo caríssimo Impontual.

A pedra que está em excesso

Tiro apenas a pedra que está em excesso, dizia Miguel Ângelo, para encontrar a escultura que está lá dentro. Dou por mim a procurar, nos textos que leio, as ideias que sobram quando subtraio as camadas adiposas de verbosidade que as ocultam. O prazer que retiro da leitura é, creio, semelhante ao do arqueólogo quando espana a terra do artefacto que acabou de desenterrar e vê o primeiro raio de sol refletido no metal brilhante como no dia em que saiu da forja.

15.5.17

As nossas próprias histórias

Todos os dias juntamos fragmentos às nossas próprias histórias, todos os dias, sem dúvida, lhes retiramos fragmentos. É um trabalho incessante, este, o de dar sentido ao que vivemos. Juntamos areia húmida sobre a seca, que se esboroa por baixo. As nossas próprias histórias são o resto da areia que o vento do nosso esquecimento não levou. Um dia, a areia secará de todo, e as nossas próprias histórias serão apenas um montículo, e depois, nada.

polaroid

é como se visse o mundo em imagens
instantâneas para te mostrar:
olha, olha aqui, olha
como se tudo fosse novíssimo
como o teu sorriso

Falta de coragem

Enquanto no ecrã aparecia o retrato do pintor com a paleta e os pincéis, reparei no mancebo de barbas, na audiência, com o lápis assente na orelha. Não duvidei que o pintor também tivesse usado o lápis assim, no seu tempo, e eu próprio deplorei, na altura, faltar-me coragem para andar com um de tal modo. A minha cobardia social sobrepõe-se à evidente utilidade prática de fazer transportar um lápis (eu usaria mina 4B) onde outros apõem a haste dos óculos.

14.5.17

pede um desejo (dois)

que eu nunca pare de te aprender
que tu nunca pares de me prender

Viemos em paz


Amjad Ali Khan, Raga for peace

Passadas largas

Cruzei-me com eles diversas vezes em torno da pista. Passo elástico, rápido, ela e ele. Olhar determinado, respiração sincronizada. Eis que chegam quatro homens, equipados a rigor para a conversa de atletas domingueiros. Capturam-no, e de súbito são cinco a dissecar os desenlaces do dia sétimo. Ela não olhou, nem parou, o foco afiado como folha de milho. Para o ano é que vai ser, vão ver, prometeu ele quando partiu a correr, já ela nem se vislumbrava no horizonte breve do macadame. É um grande portista, o Alberto, um grande portista, ouvi os outros reconhecerem, enquanto olhando por cima do ombro o vi a ele esbaforido, em passadas largas de grande desportista, tentando chegar perto da face distante dela.

13.5.17

In God's country

Enquanto o coro cantava um motete de Tomás Luis de Victoria dedicado a Maria, do lado de fora passavam os carros a apitar em modo de celebração. Chego a casa ainda a tempo, depois do motete, de ver pela primeira vez Salvador, o outro, celebrando também. Creio que a haver Deus (não é certo que haja, mas ainda ninguém conseguiu provar o contrário) deve andar de terra em terra, feito peregrino. A haver, hoje passou aqui. Fez bem, podemos ter uma porção de defeitos, mas em geral somos acolhedores, tratamos bem as visitas, os peregrinos. E a noite até está boa: creio que Deus por agora, está sentado junto ao rio, quem sabe a beber um Gin Tonic, que o há bom por cá. Ao sétimo dia, celebrou.

[O título foi descaradamente roubado aos U2.]

Coisas de homem

O whiskey do Tennessee soube-me melhor do que se fosse whisky de Speyside. É coisa de homem, leitora, admito. Mas não acredite quando lhe falarem da qualidade absoluta do whisky/whiskey (a grafia depende da geografia de origem: a primeira, Escócia ou Japão, a segunda, Irlanda ou Estados Unidos). As circunstâncias em que é bebido é que contam. O resto, com o devido respeito, é apenas encenação. Não há travo a madeira exótica que resista face à companhia e ao momento certos. O tempo é a mais importante de todas as circunstâncias. O resto, são máscaras inventadas pelos homens para disfarçar a sua incompreensão e impotência face ao deslizar imparável dos dias.

Multidões, identidade partilhada, emoções positivas, autorrealização coletiva

A psicologia explica: é a mesma coisa estar no Santuário de manhã ou no Marquês à tarde. Diferem alguns detalhes, mas são circunstanciais e, na prática, irrelevantes.

Um suave milagre

Atravesso o café de oriente para ocidente, ou seja do meu lugar à janela até à porta de saída, e conto. Eu conto à leitora. Conto dez utentes daquele espaço, dez apreciadores do café e de outras iguarias matinais, de olhar transfixado no ecrã do telefone sem fios. Alguns aos pares, outros a sós com a chávena de café ou um copo de sumo de cor de sol. A exceção era uma adolescente, a única que encontrei no percurso. Essa tinha mergulhado no ecrã de um computador. Um suave milagre, as relações humanas, nestes tempos que vão correndo, numa manhã dolente de sábado.

12.5.17

refém sem resgate

fizeste do meu coração refém
e eu nunca pagarei resgate
terás que ficar com ele para sempre

Parábola dos três Jorges

Jorge Mario Bergoglio, Jorge Gonzalez Manent e Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo

Jorge Mario Bergoglio era professor de literatura e psicologia no colégio La Inmaculada Concepción de Santa Fe, no interior da Argentina, em meados da década de sessenta. Por essa altura, convidou outro Jorge, Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo, para dar umas aulas aos seus alunos. Um dia, Jorge Mario foi buscar Jorge Francisco, então já cego, ao hotel e demorou mais do que seria de esperar para subir e descer ao terceiro andar onde o segundo Jorge estava alojado. Um dos alunos que tinha ido com ele, um terceiro Jorge, Jorge Gonzalez Manent, fez-lhe um gesto discreto, como quem pergunta, Que se passou? Também discretamente, respondeu-lhe Jorge Mario Bergoglio, O velho pediu-me que o barbeasse. E foi esse o motivo da demora.

11.5.17

um viajante está sempre de chegada

outros demandam Xanadu, a seda, a canela, o ouro e o rubi
eu atravesso o deserto,  respiro areia, pelo teu sorriso, por ti

palavras que rufam como tambores

quando esta terra e este mundo não existiam
quando não havia lua, sol ou céu
quando o segredo da verdade era desconhecido
quando não havia nada, havias tu

[versão de um canto paquistanês.]

O aço e o carbono

O açúcar faz mal, doutor, diz-me Dona Aureliana, com aquela fala lá dela que atravessou o equador. Pois claro, digo eu, por essa razão é que eu tomo o meu café só com colher. O aço é mais saudável que os hidratos de carbono, portanto. Por isso é que, acabado de tomar o café só com a colher de aço, me sinto são que nem um pero. Se tivesse sido com açúcar, decerto me sentiria como um outro fruto qualquer, presumo que menos são. Digo eu, leitora.

9.5.17

espaço em branco


a espaços
a minha vida ganha cor
sabes?