19.7.26

Inspiração

Ao Pai que, esta tarde, passou por mim na esplanada junto ao rio, equipado com capacete, joelheiras e patins em linha, levando pela mão a Filha, cinco ou seis anos, tagarela como só se é em tal idade, igualmente aprimorada em semelhantes, mas em rosa, apetrechos, envio daqui o meu agradecimento por me dar um pretexto tão bom para vir partilhar com a leitora esta minudência, não sei se inconsequente, num tempo em que o mais provável seria o Pai entregar-lhe um qualquer ecrã, para ela se perder em desenhos animados com sotaque do outro lado do Atlântico, enquanto ele tomava uma cerveja, num lugar tão bom, tão arejado, num final de tarde domingueira onde qualquer brisa seria uma bênção.

1 comentário:

  1. Felizmente há assim coisas e pessoas que nos reconciliam com a espécie. Um destes dias encontrei no Metro um garoto perguntador a quem a mãe explicava de forma carinhosa todas as respostas. Era um brasileirinho moreno e encaracolado, expressivos olhos de azeviche; ela, provavelmente, uma mãe saída do emprego que dissolvia o cansaço do rosto nas questões do garoto. Mas poucos terão visto o quadro, vem tudo tão enfronhado no tlm ou perdido a ouvir não sei quê nos auscultadores que haver mais gente na carruagem é factor que não interessa nada.

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