Se chegas em cima da hora, já chegas atrasado. Isto, leitora, aprendi num livro sobre a cultura japonesa, observada por um escocês que por lá viveu uns anos a ensinar inglês.
Antes, chegar sempre
antes -- para bater o imprevisto. O Japão é dado a catástrofes naturais, como terramotos e tsunamis, daí a necessidade de antecipar, de prever, de prevenir, que se lhes entranhou no quotidiano. Infelizmente, por cá, o livro (
Fish Town, de John Gerard Fagan) não deve ter tido grande procura, decerto não foi lido por nenhum dos nossos responsáveis políticos, nem dos mais literatos, aqueles que durante anos falaram sobre livros em horário nobre na radiotelevisão. Seja a tragédia
fogo (os incêndios),
água ou
ar (as inundações e a tempestade), o atraso é omnipresente. Deslocam-se aos locais dos desastres dias depois destes ocorrerem, como se esperassem que entretanto se resolvessem por si mesmos e apenas para a oportunidade de foto, marcam conselhos de ministros de emergência para ainda mais dias depois, titubeiam generalidades inóquas, proferem lições inoportunas aos que, no terreno, estão, na realidade a procurar dar a mão a quem precisa, fogem a perguntas como se estivessem a correr à frente do vento. O quarto elemento, a
terra, é o único que ainda não despertou. Assim se mantenha porque, por estas terras, atraso não é falha: é método.