Em pé, ao balcão do café de Seu Silas, um Pai almoçava uma das famosas tostas mistas do sítio, acompanhada de um sumo de pêssego dos de garrafa, tudo isto com Filho de poucos meses ao colo, apenas narizinho e olhinhos brilhantes a espreitar de um saco marsupial ao peito paterno.
Das colunas de Seu Silas, saia a voz de Marisa Monte: Seja eu! Seja eu! / Deixa que eu seja eu / E aceita o que seja seu / Então deita e aceita eu
e Pai e, por consequência, Filho, ensaiavam uma não muita discreta dança ao balcão, entre uma dentada na tosta e um gole de sumo. Eu, quase de saída, atrasei o pagamento da conta para não perturbar o quadro. Afinal, já é primavera e ninguém parece ter notado que este ano chegou uns dez dias mais cedo.