4.8.26
Segregação II
2.8.26
Há muitos
1.8.26
Menina que não está à janela
Menina Li, que passa os dias no grande armazém sem janelas da loja que vende de tudo, há muito por aqui estabelecida, conversa com os clientes numa combinação única, dir-se-ia até, inédita, de sotaque chinês -- não há "r", apenas "l" -- com a dicção longa, pausada, melódica, do cante alentejano. Não será apenas por isso que o negócio prospera, mas tenho a certeza de que ajuda, leitora.
25.7.26
Intrigas
Daqui de onde estou, vejo Dona Alexandra, a ex de Senhor Luís, mais empenhada a dançar as músicas que Senhor Luís põe a tocar, na sua mesa de DJ, do que vejo tal empenho em Dona Aline, a atual de Senhor Luís. Tenho a certeza de que esta é uma minudência inconsequente, leitora.
22.7.26
Marcha
A leitora gostará decerto de saber, e eu não gosto menos de ser o mensageiro, que o pai que passou por mim com uma melancia numa mão, um saco de compras na outra e o filho às cavalitas conseguiu chegar ao fim da rua sem que qualquer percalço perturbasse a sua marcha ousada, periclitante, mas determinada.
20.7.26
Vulgar de Lineu II
Afinal arranjei alternativa aos iogurtes naturais vindos da Áustria -- não que tenha de andar menos para os comprar, mas alternativa é uma janela para a liberdade, como a leitora concordará. Dita alternativa é produzida no Alentejo, na vacaria de um holandês com nome de imperador austríaco (não pode ser mera coincidência, não). Não tenho informação que me permita afirmar certeza de cem por cento, mas diria que por lá, cada uma das ditas vaquinhas é tratada por nome próprio -- já para não falar de carinhoso apelido, assim: Laurinda, Linda, Linda. Pode não haver relação causa-efeito, mas para mim, só isso justifica que um iogurte natural, vulgar de Lineu, seja tão extraordinário.