Pode a leitora ir a Uppsala, que fica ali pertinho de Estocolmo, em busca do rasto de Lineu no seu jardim botânico, ou pode este que lhe escreve atravessar a capital de lés a lés, em busca de um iogurte natural, vulgar de Lineu. Dito iogurte é feito na Áustria, que não consta que tenha sido visitada pelo naturalista: sendo contemporâneo de Mozart, bem lhe podia ter ido fazer uma visita. Mas não. Não consta também que Lineu tenha provado os iogurtes austríacos -- embora esteja documentado que degustou tätmjölk, uma variante sueca de leite fermentado. Terá Lineu corrido Uppsala em busca do tätmjölk como eu Lisboa, em busca de um iogurte natural, mas -- e lá está, Lineu sabia -- vulgar não é sinónimo de indistinto? Confesso -- a leitora concordará, decerto -- que a busca é, amiúde, mais gratificante que o encontro. O encontro comporta sempre o breve desencanto do término. Já a busca, se não for bem sucedida, não leva a desencanto. Ando eu nisto -- buscando o iogurte, e ele ausente. Lineu criou toda uma ciência com a sua demanda. Eu, nem encher o frigorífico de iogurtes naturais consigo. Fica apenas esta minudência inconsequente como testemunho, precisamente, de tal desatino.
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