Na mesa ao lado, no restaurante de Senhor João, a jovem neta, frente ao seu ainda mais jovem irmão, queixa-se das condições em que lhes foi transmitido o que ambos acabaram de ouvir da boca da terceira ocupante da mesa, que ainda limpa os olhos chorosos: “A avó riu-se tanto a contar a história que eu não percebi nada, nadinha…”
Acontece. Mas o prazer que ela teve em contar já ninguém lho tira, não é Xilre?
ResponderEliminarQueira fazer do seu domingo um dia Bom.
E creio que, do lado dos netos, também fica a memória, apesar da reclamação -- com sorte recordarão que a avó contava histórias com alma e palavras.
EliminarHá risos que são uma herança. Ao ler esta cena, dei por mim a pensar como é raro ver uma avó rir-se assim — e como esse riso, quando acontece, ilumina tudo à volta. Talvez por ter crescido com avós distantes, reconheço sempre a beleza destes instantes.
ResponderEliminarO riso também é um laço. Naquele caso, parecia a avó a abraçar os netos, ainda que cada um deles sentado no respetivo lugar da mesa.
EliminarDizem os mestres que os neurónios-espelho são a causa de o riso ser tão contagiante. E se calhar a história da avó até nem tinha piada nenhuma... Começando um a rir, a começar pelo próprio emissor da suposta piada antes desta ser dita, vai tudo a eito. Acontece muito no teatro de comédia e na revista.
ResponderEliminarBoa semana Xilre.
Às vezes o riso começa antes da piada, quase por antecipação, como se a história fosse só desculpa. No fim, os netos lembrar-se-ão menos do enredo e mais do riso da avó, estou em crer.
EliminarApenas tive um avô que me contava histórias com melancolia e tristeza, nunca lhe vi gargalhada. Se os miúdos não tiverem registado a história, fizeram-no certamente com a gargalhada e falarão um dia nela...
ResponderEliminarAmiúde, não recordamos as histórias -- mas a forma como nos fizeram sentir, essa é uma recordação indelével. Um dia poderão contar aos netos, talvez a rir, que a avó tanto se ria a contá-las. O riso como herança intergeracional.
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