Eu, confesso, vou lá pelo café, mas também pelo pastel de nata. Não fui próximo de prémios Nobel, menos ainda daqueles sobre os quais se fazem filmes, nem guiei forças militares em momentos cruciais ou sequer outros. Vou correr aqui o risco de me contradizer: eu ia lá pelo café, mas também pelo pastel de nata. Agora, vou lá pelos ditos fiapos. O pastel de nata continua a ser o melhor do bairro, o café não, mas não desmerece. Mas aqueles bocadinhos de tempo, que se escoam por entre as mesas, trazidos pela brisa da esplanada, não têm termo de comparação, são exemplares únicos. Mais perecíveis que um pastel de nata deixado ao Sol. Coisa, leitora, que eu nunca faria.
4.12.25
Fiapos de História
Quando chego, já lá estão; quando saio, ainda ficam. As obrigações de horários a eles já pouco ou nada dizem -- a mim, contudo, dizem ainda, e com que eloquência. Os participantes da tertúlia na mesa ao lado, no café de Senhor Augusto, mesa da esplanada, faça chuva ou Sol, têm conversa para toda a manhã e talvez mais, já que não sou cliente depois das horas da tarde. Apanho por vezes uns fiapos das conversas. Um deles contava, há poucas semanas, como conheceu pessoalmente John Nash, como o guiou pela Lisboa de outros tempos. Outro deles foi ovacionado, quando chegou, em dia de efeméride nacional recente, por ter aparecido nos jornais em vasta entrevista, com foto de dupla página.
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Uma (postagem) por mês, é um fraco registo Sr.Xilre, há que o dizer sem rodeios.
ResponderEliminarEu sei que as suas leitoras não pagam subscrição, portanto não podem reclamar muito, mas a fidelidade que lhe devotam também conta e nesse sentido vou investigar se têm alguns direitos para apresentar reclamação em sede própria na defesa do consumidor. Deixo aqui, entretanto, o aviso.
Relativamente à matéria de facto, cumpre-me dizer que ser figura notada e pública deve trazer mais contrariedades do que benefícios. Todos se queixam...
Há lá coisa melhor para o aprendizado do que ouvir conversa alheia na esplanada dum café Sr. Xilre, em especial com proveniência em gente ilustre.
Poderia dizer muito mais, mas não há necessidade de esgotar o assunto num só dia, quando vou ter mais trinta para o fazer.
Uma excelente noite.
Caro Joaquim, tem toda a razão no que diz, e aceito a reprimenda sem pestanejar. Uma publicação por mês é de facto parca obra literária, quase roçando o racionamento. Quanto à reclamação na defesa do consumidor, permita-me sugerir que apresente também queixa contra os tertulianos do café do Sr. Augusto -- esses sim, consomem tempo alheio com uma generosidade que faria inveja a qualquer subscrição daquelas ditas "premium". Sobre as figuras públicas, concordo: queixam-se todos, mas continuam a dar entrevistas de dupla página. E já agora, aproveito para enviar votos de excelentes festas para si e os seus!
EliminarNem eu tinha dado conta de como me faziam falta estes fiapos. :)
ResponderEliminarBoa noite, sô Xilre
Muito obrigado, nn. Agradeço as suas palavras generosas e aproveito para enviar votos de Boas Festas, e que o novo ano seja pródigo em momentos felizes.
EliminarAs personalidades públicas deixam-me pouco à vontade. Eu mudava de café. E a conversa entre esses seria o que menos me interessava. Mas entendo a sua fidelidade a um café e pastel de nata.
ResponderEliminarTem razão, bea. As personalidades públicas instalam-se no espaço com uma naturalidade que só pode vir da certeza de que merecem estar ali. Eu, que não tenho essa certeza sobre mim próprio, limito-me a ocupar uma mesa distante e a fingir que leio o jornal. Mudaria de café, talvez, se o pastel de nata não fosse tão bom -- ou se a minha inércia não fosse maior. Somos todos reféns das pequenas coisas que nos prendem aos lugares. Votos de Festas Felizes para si e os seus!
EliminarAdoro conversas de café, muito aprendi da vida com elas. Encontrou um lugar fantástico, só convém não exagerar nos pastéis de nata...devia vir era aqui beber café connosco mais vezes, eu até encomendo os pastéis de nata...ou uma fatia de bolo rei, caso seja apreciador.
ResponderEliminarOra, ora...belo sítio! Venha é mais vezes aqui beber café, prometo encomendar os pastéis de nata ou...dada a época, uma fatia de bolo rei, caso seja apreciador.
ResponderEliminarCara CC, tem razão: as conversas de café são mesmo uma escola à parte, das que funcionam sem currículos, nem horários, nem programa. Aprende-se pelo acaso, pelos desvios, pelas coisas que ninguém planeou dizer. Quanto aos pastéis de nata e ao bolo-rei, aceito ambos sem hesitar -- há temas que dispensam longas ponderações. Votos de Boas Festas, e que o novo ano seja repleto de momentos daqueles em que o tempo é opcional, como os das boas conversas de café.
EliminarDesde que estive sem poder escrever durante uma eternidade, acabei internada em pneumologia e, ao regressar, descobri que tinha deixado de ser poeta - in Facebook, claro - para ser "criadora de conteúdos digitais", que, a par das dores e desequilíbrios constantes, anda um bichinho desconhecido a roer-me as entranhas... Ia agora ao cafezinho, mas sem pastel de nata. Talvez um scone ou uma empada...
ResponderEliminarBoas Festas, Xilre.
Um feliz 2026, Maria João. Eu votaria no scone, se me é permitida a sugestão. Quentinho de preferência, que os dias vão frios...
EliminarPassei só para desejar um bom 2026. Mesmo que não venha vestido ao nosso gosto, que o saibamos sofrer e cheguemos ao fim (sempre são 365 dias, não é brincadeira).
ResponderEliminarObrigado e votos retribuídos, bea. (É verdade, parecem muitos, mas são como as cerejas -- tendem a desaparecer num ápice...)
EliminarFeliz Novo Ano, Xilre.
ResponderEliminarDesejo-lhe muita saúde e o Amor dos que lhe são próximos.
Muito obrigado, Janita. Retribuo todos os votos. Um ano de 2026 feliz e com saúde
EliminarFeliz 2026, com muitas conversas ditas e escritas, caro Xilre!
ResponderEliminarUm abraço.
Muito obrigado Maria Eu. Votos retribuídos de um 2026 excelente (melhor, espera-se, que o que temos assistido no mundo nesta primeira quinzena...)
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